Deixei meu cérebro de molho e ele virou sopa…
Se formos falar de beldades e encantos da vida, eu escolho as quinas e esquinas. Prefiro a grama que divide o hospital do condomínio, como se coubesse a ele reatar os dois. Mesmo, sabendo, que isso significa acreditar em algo que jamais acontecerá, pois a sua função de grama jamais se extenderá para algo além de sua função de grama. Nesta mesma categoria, aponto o sovaco. Ele está como aquelas mulheres que não roubam a cena da festa, mas, se fitadas com devida atenção, são capazes de levar muitos queixos ao chão. Primeiro as pessoas percebem o braço. O tronco. O seio, a bunda, a coxa, o rosto. Mas é ali, na quina, onde mora a beleza. No joelho, por exemplo, que muitas vezes é confundido como uma mera pretensão para dividir a batata da coxa. Aliás, quanto nome de comida! Da cintura pra baixo, é só cozinha. Pé de moleque.
Cultura inútil
October 29th, 2008A calça jeans foi inventada em Gênova, 1567, por Levi Strauss. Devido à grande exigência física dos seus mineradores, as roupas se desgastavam com facilidade. Decidiu então criar uma roupa mais resistente, apropriando-se de uma lona. Surguiu, aí, o jeans - derivado da palavra “Genes”, nome dado pelos marinheiros italianos.
O sanduíche foi inventado pelo Conde de Sandwich, aristocrata inglês do século XVIII, quando, preocupado em dar continuidade a seus jogos de carta, pôs a comida entre duas fatias de pão. Desse modo, não precisaria interromper suas partidas para ir até a cozinha se alimentar.
Ladri di biciclette
October 15th, 2008Lola por e-mail: “Não sei porque, mas quando eu vi isso e lembrei muito do seu post do “ladrões de bicicleta”. Hahahaha.”
Quisera eu ter visto esse vídeo antes de ter ido à festa de bike. Obrigado pela contribuição, Lola!
O amor perfeito
October 10th, 2008A música é a namorada perfeita.
Ela não pede atenção, não sente ciúmes. A música está sempre à sua disposição, mesmo que seja às 2h30 da manhã. Ela nunca cansa de você. Você pode largar ela quando quiser que ela não se importa, e ainda volta correndo sempre para os seus braços com o mesmo fervor de quando vocês se despediram. Não tem média.
Se você enjoar da música, tudo bem. Não precisa nem contar pra ela. Só deixa de lado, só isso. E se um dia, quem sabe, daqui uns anos, você quiser ouvi-la de novo, ouça. Aperte play. Você provavelmente não vai conseguir ouvir por muito tempo; vai continuar enjoado. Mas só de saber que ela está lá sempre que você quiser mandar um revival já é conforto o bastante.
O ruim da música, como as namoradas, é que elas não são fáceis de achar. Ou melhor dizendo: as boas não são. Se apaixonar é trabalho árduo e longo. Você procura entre centenas e só uma vai evocar em você os sentimentos mais profundos. Quando você estiver com coração de manteiga, é porque você chegou lá. Os primeiros segundos são fundamentais. Um primeiro acorde, uma primeira linha melódica, um primeiro riff. Quando é certo, é certo. Você sente na hora que vai passar dias junto àqueles timbres. Com uma pequena diferença da namorada: ele nunca vai te dar um pé na bunda.
Pois no tempo em que fiquei sem escrever foi o tempo em que mais me leram. Olha os sentidos da vida..
Andar de ônibus
October 4th, 2008Ônibus 179, menina entrega papelzinho. “Bom dia ou boa tarde. Estou aqui para pedir…” E a minha noite, não merecia ser boa? Eram, afinal, 20h15. Guardei o dinheiro no bolso e, irritado, devolvi o papel.
Ônibus 438, sento no primeiro banco e fico frente-a-frente com um anúncio que fiz para o Boulevard Shoppingcar - na época que eu tinha emprego e achava que queria fazer direção de arte. Layout horroroso, texto pior ainda. Dizia: “+ de 1,000 carros a sua escolha.” Assim mesmo, sem crase. E, pra fechar com chave de ouro: “www.boulevartshoppingcar.com.br” Como eu não vi, meu diretor não viu, o atendimento não viu e o cliente não viu que tava errado o site, eu não sei. Mas que eu queria levar pra casa aquele anúncio e colocar na parede do quarto, eu queria!
O Iluminado
October 4th, 2008Com a morte do meu antigo computador, perdi todas as minhas senhas. E como eu precisava de uma senha pra entrar no blog, fique trancado fora de casa. Por algum motivo superior, consegui lembrar. Do nada. Ainda bem, porque começar outro blog seria uma chatice. Eu já até havia pensado no nome, mas não quero falar por medo de algum malandrex roubar. Aliás, se vocês ouvirem no rádio o show de um Daniel Dangles que toca MPB, tenham certeza que não sou eu. E se um dia desses estiverem no Last FM e procurarem por Dangles, vão encontrar umas fotos e músicas minhas. Mas, também, não sou eu. Você pode conferir também o mais novo single do Dangles que jamais foi escrito pelo Dangles, circulando como se fosse do Dangles.
A minha vida mudou
September 5th, 2008Desde que eu li “Linguagem Corporal” a minha vida mudou. Para pior. Deve fazer um, dois anos que li o livro e descobri o que significa quando alguém cruza os braços. Se não sabe, digo pra você: significa que a pessoa está na defensiva. Ela não tem o que falar, não concorda, por aí. Está desconfortável. E, uma vez que tomei isso como axioma, minha vida virou um inferno. Deixei de prestar atenção no que as pessoas falam e fico analisando os braços. Cruza, descruza. É uma guerra constante. Puxo assunto legal, caimos na mesmice. Virou guerra.
Para que você não saia por aí achando que é um paradigma livre de falhas, o braço cruzado também serve quando a pessoa sente frio. Ou seja, se você pegá-la de braços cruzados na praia, na sala de aula ou no parque, tenha certeza: você é um saco.